quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Dono da UTC Engenharia confirma a Sergio Moro acerto de propinas para o PT entre 2004 e 2013


Empreiteiro Ricardo Pessoa, delator, depôs na ação penal em que são réus ex-ministro Antonio Palocci, empresário Marcelo Odebrecht e marqueteiro do PT João Santana.
O dono da UTC, Ricardo Pessoa, confirmou nesta quarta-feira, 1, em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro que pagou propinas ao PT, entre 2004 e 2013, e discutiu sobre a corrupção na Petrobrás com executivos da Odebrecht.
A Odebrecht já teve homologado pela ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, seu acordo de delação premiada com a Operação Lava Jato. A empreiteira é acusada de repassar dinheiro desviado dos contratos da estatal ao partido, a pedido do ex-ministro Antonio Palocci.
Ricardo Pessoa foi a primeira testemunha ouvida por Moro na retomada dos trabalhos da Lava Jato, em 2017, em Curitiba, onde estão os processos de primeira instância do escândalo Petrobrás.
Delator desde 2015, o dono da UTC foi chamado pelos procuradores da força-tarefa da Lava Jato como testemunha de acusação no processo em que Palocci – ex-ministro da Fazenda (governo Luiz Inácio Lula da Silva) e da Casa Civil (governo Dilma Rousseff) – é réu, junto com o empresário Marcelo Odebrecht e o marqueteiro do PT João Santana.
“Pela UTC sim, participei. Foi de 2004 a 2012, inicio de 2013. (…) Na diretoria de Abastecimento (da Petrobrás) a Paulo Roberto Costa e seus prepostos, e na Diretoria de Serviços ao Renato Duque, através do Pedro Barusco, e ao senhor João Vaccari Neto”, afirmou Pessoa, ao ser questionado, pela procuradora da República Laura Tessler, para quem ele havia pago propinas na Petrobrás.
Os pagamentos seriam ‘contrapartida’ por contratos assinados na área onshore (obras como refinarias, unidades petroquímicas, gasodutos, que eram competência da Diretoria de Abastecimento da Petrobrás, afirmou Ricardo Pessoa.
O empreiteiro foi preso na sétima fase da Lava Jato, em novembro de 2014, e virou delator em 2015, quando revelou sua participação no esquema de cartel, fraudes em licitações e corrupção na Petrobrás, envolvendo políticos e agentes públicos ligados ao PT, PMDB e PP.
Ele citou propinas em contratos na Refinaria Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, e no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Falou também do acerto de propinas em contratos de construção de plataformas, em parceria com a Odebrecht.
Partido. “Os pagamentos eram direcionados ao senhor João Vaccari Neto ou ao Partidos dos Trabalhadores?”, quis saber a procuradora da força-tarefa da Lava Jato.
“Sempre para o Partido dos Trabalhadores”, respondeu Pessoa.
O dono da UTC explicou no depoimento que os pagamentos eram referentes ao porcentual destinado à Diretoria de Serviços – cota petista na estatal -, e operacionalizados de duas formas: “ou direto pagamento na conta nacional do partido, na sua grande maioria, ou em espécie, quando era solicitado”.
Pessoa disse que havia uma conta geral da propina entre a UTC e Vaccari, em decorrência dos vários contratos e dos pagamentos mensais que se efetuavam.
“Da forma nós acertávamos pagamentos em parcelas fixas, não vinculadas aos pagamentos (da Petrobrás), porque senão não teríamos como controlar, tinha uma planilha e um controle, com várias obras, vários pagamentos.”


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