quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Na mira do TCU e da PF, ação de Pazuello incomoda Exército e já preocupa Planalto

 



O cerco ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, pelo 

Tribunal de Contas da União (TCU) e pela investigação

 da Polícia Federaldeterminada pelo Supremo Tribunal

 Federal (STF), já começa a levar preocupação ao Palácio

 do Planalto e, ao mesmo tempo, tem gerado entre 

generais da ativa do Exército apreensão de desgaste 

na imagem da Força.

Entre auxiliares do governo, avaliação é que essas 

ações contra Pazuello podem respingar diretamente 

no presidente Jair Bolsonaro, que pressionou 

publicamente pela adoção da cloroquina como 

tratamento eficaz para pacientes com Covid-19. 

De acordo com pesquisas científicas no mundo

 inteiro, o remédio não serve para tratar a doença.

Os dois antecessores de Pazuello, os ex-ministros

 Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, saíram 

do governo por discordarem de Bolsonaro 

sobre o protocolo para o uso da cloroquina.

Ao mesmo tempo, generais da ativa e da reserva 

do Exército temem que essa gestão temerária de

 Pazuello no comando da Saúde respingue na 

imagem da Força, até porque o ministro é um general 

da ativa e se recusou a ir para a reserva.

Nesta terça-feira (26), o Tribunal de Contas da 

União (TCU) apontou ilegalidade no uso de recursos 

do Sistema Único de Saúde (SUS)

 para o fornecimento de cloroquina no tratamento 

de pacientes com Covid-19 e deu cinco dias para o 

Ministério da Saúde apresentar explicações.

Em despacho, o ministro Benjamin Zymler afirmou

 que o fornecimento do medicamento para tratamento

 não tem comprovação científica e que o remédio — 

utilizado no tratamento da malária — só poderia 

ser fornecido pelo SUS para uso contra a Covid-19 

se houvesse autorização da Agência Nacional de 

Vigilância Sanitária (Anvisa) ou de autoridades 

sanitárias estrangeiras, o que não ocorreu.

Já a Polícia Federal recebeu oficialmente, também 

nesta terça, a notificação do ministro Ricardo 

Lewandowski, do STF, determinando a instauração 

de inquérito para investigar a conduta de Pazuello 

na crise da saúde no Amazonas.

A próxima etapa é a instauração pela PF da 

investigação, que deve tramitar no Serviço de 

Inquéritos Especiais (Sinq), porque

 Pazuello, na condição de ministro, tem foro 

privilegiado. Na sequência, a PF deverá procurar

 Pazuello para agendar o depoimento.

Como informou o blog, o presidente Bolsonaro

 tem usado Pazuello como uma espécie de 

escudo tanto de investigações que começam

 a ser feitas como também para evitar um 

desgaste maior de sua imagem. Mas até 

mesmo aliados reconhecem que fica cada 

vez mais difícil blindar Bolsonaro dos 

questionamentos sobre as ações de Pazuello.

Em outubro, quando contraiu a Covid-19, 

o próprio Pazuello chegou a afirmar numa

 live ao lado de Bolsonaro que “um 

manda e o outro obedece”, explicitando 

que cumpria ordens

 do presidente.


Fonte: g1.globo.com

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