quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

HISTÓRIA DOS ENGENHOS DE CEARÁ-MIRIM


6 - ENGENHO TRIGUEIRO
No decorrer do ano de 1875, o Governo do Estado do Rio Grande do Norte tentou construir uma Usina Central no Vale do Ceará-Mirim, tendo em vista a grande abundância da cana-de-açúcar para abastecer pequenos engenhos existentes na região. Depois de três tentativas, no ano de 1909, a ideia fracassou, porque chegaram à conclusão que essa Usina Central absorveria toda a produção açucareira da região, levando à derrocada a grande quantidade dos pequenos engenhos que funcionavam no Ceará-Mirim.
Malgrado o fracasso desse projeto, alguns senhores poderosos continuaram investindo nos seus engenhos, mesmo diante de um quadro de crise na produção açucareira, inaugurando novos engenhos ou modernizando aqueles já existentes.
Foi nesse período turbulento que, por volta de 1910, o Capitão José Ribeiro Dantas, conhecido pela alcunha de “Zumba do Timbó”, fundou o Engenho Trigueiro, localizado em terras que se limitam com o Engenho Guaporé (que depois passou a ser Museu Nilo Pereira); com o Engenho Umburanas e com terras do Engenho Verde Nasce.
A casa-grande do Engenho Trigueiro é de rara beleza e foi construída seguindo os moldes da arquitetura neoclássica, com grandes janelas frontais e laterais, todas acompanhando as ogivas, que podem ser contempladas também nas portas frontal e lateral. Colunas em alto relevo, ornamentando as laterais da casa grande. Uma ampla sala de visitas, quartos bastante arejados, sala de jantar e cozinha com fogão de alvenaria, além de uma despensa para mantimentos.
O Zumba do Timbó, seu primeiro proprietário, era um dos grandes senhores de engenho locais. Possuía, além do Engenho Trigueiro, também os engenhos: Timbó de Dentro (rebatizado com São Pedro), Porão, Veados, Barra de Levada, Timbó de Fora e Oitizeiros (em Ceará-Mirim), Joazeiro e Cafuca (estes dois em Santana de Matos) e Sapé (em Papari). Possuia uma personalidade forte e, por esse motivo era bastante temido, já que corria a fama de que os seus escravos eram maltratados e castigados de maneira desumana, entretanto, o que se tem conhecimento é que os seus escravos foram alforriados, espontaneamente, antes de decretada a Abolição. 
Anos depois, a propriedade do Engenho Trigueiro foi adquirida pela senhora Maria Cavalcante de Oliveira Correia, viúva do Major Pedro de Oliveira Correia.
Hoje do que foi o engenho Trigueiro, nada mais existe, apenas as ruinas da bela casa-grande. Porém, toda essa beleza arquitetônica está fadada ao desaparecimento, seguindo o mesmo destino de dezenas de outros engenhos e casarões construídos no vale e na cidade de Ceará-Mirim.


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